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São Borja

Semana Farroupilha: a tradição em meio a pandemia

O evento festivo da cultura gaúcha é comemorado em São Borja

Por Gabrielli Almeron, Kimberlin Valerio e Tuãne Araújo

A Semana Farroupilha é celebrada, desde 1947, do dia 13 a 20 de setembro, para relembrar e homenagear os líderes da Revolução Farroupilha, bem como a tradição gaúcha, com seus chimarrões, shows campeiros e desfiles com roupas típicas da cultura. Apesar da pandemia, a comemoração está na agenda da Prefeitura Municipal de São Borja para ser comemorada este ano. Instituída a Capital Gaúcha do Fandango em 2018, o município é destino para os turistas que querem comemorar o maior evento festivo da cultura sulista. Construída em conjunto com a Coordenadoria de Educação, Brigada Militar, quartéis, entidades tradicionalistas e piquetes, a prefeitura oficializou setembro como o mês Farroupilha.

O tradicional desfile da Semana Farroupilha, em São Borja. Foto: Miro Bacin

Em anos anteriores, a festividade iniciava em agosto com a eleição de casais fandangueiros de cinco categorias: pré mirim, mirim, juvenil, adulta e xirú. Por ser um evento de grande porte, segundo a diretora do Departamento de Comunicação da Prefeitura de São Borja (Decom), Danielly Engelmann, desde 2019 os pares eleitos continuam com os títulos, já que não foi possível, desde o começo da pandemia, realizar nova eleição. A decisão de não tornar um evento presencial e de acreditar que não caíria bem como um evento virtual, a diretora de comunicação explica que, “não conseguiríamos executar como gostaríamos. Nosso evento possui uma grande credibilidade [por São Borja ser a capital do Fandango]. Então a presença do público é em alto índice, é um número de pessoas que participam que, hoje, em um contexto de pandemia, não é permitido. Não nos passaria, como gestão, colocar a saúde pública em risco”. A mesma decisão foi tomada para o Baile de Ramada, que é o baile a céu aberto, costumeiro no Cais do Porto, que na última edição teve a participação de mais de 10 mil pessoas. O evento costumava ser o pontapé inicial do mês Farroupilha.

Casais fandangueiros 2019. Foto: Decom/ Prefeitura de São Borja

Para não passar em branco, a secretária municipal de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer (SMCTEL), Vânia Alves Cardoso, explica que a prefeitura decidiu readequar as partes que podem ser comemoradas em um formato que siga os protocolos sanitários de distanciamento social. Hoje, no dia 13 de setembro, com a chegada da chama crioula, haverá a recepção na plataforma cívica, na Praça XV de Novembro, para a centelha ser distribuída para todas as entidades tradicionais gaúchas de São Borja. O diferencial da Guarda da Chama deste ano é que, diferente dos anteriores, em que cada entidade tinha um dia para apresentar presencialmente suas atividades, exposições artísticas e campeiras, para não promover aglomerações, a SMCTEL é que irá realizar a passagem da chama. A secretária explica que haverá exposição, feita pela própria prefeitura, mas que não haverá chamada para que as pessoas compareçam na praça. Em conjunto com os piquetes e Centro de Tradições Gaúchas (CTG), apesar das apresentações serem presenciais, será transmitido para o público, via internet, a programação feita por cada um, em dias separados, para manter a segurança contra a COVID-19.     

No dia 20 de setembro haverá a finalização do festival com a extinção da chama, com a tradicional retirada da Centelha da Plataforma Cívica. Apesar do decreto do Estado do Rio Grande Sul, no dia 18 de agosto, após avaliação do Gabinete de Crise, liberar a realização dos desfiles dos festejos farroupilhas, com a concessão somente para cavalarianos, para reduzir o número de participantes, até o dia 26 de agosto, a Prefeitura de São Borja, segundo Engelmann, decidiu pela não realização do tradicional desfile. Ao invés disso, começará um concurso sobre o tema, intitulado pelo Estado, para a semana deste ano: Caminhos de Anita. As entidades tradicionais irão eleger candidatas para serem escolhidas como Anita, que passarão por provas realizadas pela prefeitura. 

Prova realizada para a escolha de Anita. Foto: Decom/ Prefeitura de São Borja
Prova para a escolha de Anita. Foto: Decom/ Prefeitura de São Borja

Os tradicionais bailes, o distanciamento social e a fiscaliza

A secretária da Cultura explica que, segundo o decreto do Estado, os bailes gaúchos estão liberados, mas com protocolos a serem seguidos. Apesar de alguns CTGs e piquetes optarem pela não realização ou com a diminuição de eventos na semana, os bailes dançantes não são permitidos. A apresentação dos grupos musicais e as alimentações estão liberadas, mas devem seguir os Protocolos Gerais Obrigatórios de restaurantes. A prefeitura apenas irá ajudar na divulgação das programações, como nos anos anteriores. 

Apesar de existirem orientações de distanciamento e cuidados contra o coronavírus, o Comitê de Gestão de Crise de São Borja, segundo Engelmann, vem trabalhando para a conscientização da população para que siga, na semana farroupilha, os protocolos estaduais e municipais durante toda a festividade. “Se tem esse trabalho de fiscalização. Estamos mantendo isso das orientações, porque na verdade não deveríamos fiscalizar, todos deveriam colaborar. Mas sabemos que isso só existe em tese. Então fazemos isso junto com os outros órgãos de segurança”, reitera. Se houver ocorrências fora do que está estabelecido nos decretos, a punição será feita pelos fiscais de postura e equipe de fiscalização do município, junto com a Brigada Militar e Promotoria. 

A tradição na pandemia

Desde 2018, quando São Borja recebeu o título de Capital Gaúcha do Fandango, a preocupação da prefeitura é valorizar a cultura, tradição e atividades envolvidas com o evento festivo gaúcho, explica Engelmann. O potencial turístico que a programação traz, com a grande requisição dos hotéis; procura de corte e costura, com encomendas de roupas tradicionais; transporte particular de motoristas de aplicativos e taxistas, movimenta, segundo a diretora de comunicação, a parte econômica e social da cidade. Mesmo com a pandemia, a prefeitura acredita que a semana farroupilha é uma raiz de São Borja e deve ser celebrada.

O tradicional desfile não acontecerá este ano. Foto: Miro Bacin.

Vale lembrar que há uma nova variante circulando pelo Rio Grande do Sul. A cepa Delta, com sua maior transmissibilidade, acendeu o alerta de preocupação no estado e tem causado mortes. A semana farroupilha acontecerá e as medidas sanitárias, para não causar mais contaminações pela nova variante, deverão ser mantidas. Usar corretamente a máscara, lavar as mãos, utilizar álcool 70 e evitar aglomerações continuam valendo para que os festejos aconteçam com segurança. Além disso, o ciclo vacinal completo contra a COVID-19, continua a ser a melhor forma de combate ao vírus.

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São Borja registra aumento nos assassinatos de mulheres em 2021

Por Dionatan Farias e Manuel Neto

Pandemia escancara machismo e dificuldades de aplicação das políticas de proteção à  mulher. Foto: Dionatan Farias

Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, São Borja registrou, até agosto de 2021, quatro feminicídios – assassinato de uma mulher pelo simples fato de ser mulher. Um aumento significativo ao considerar que quatro é o número total de casos do mesmo tipo registrados de 2012 a 2019 no município. Durante este período, a cidade nunca teve mais de um caso notificado no mesmo ano. Para a escrivã de polícia Angélica Pires, que atua na Sala das Margaridas de São Borja – espaço da polícia civil reservado para o atendimento às mulheres vítimas de violência, e para a diretora da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher (Dipam), Tatiana Bastos, o aumento súbito pode ter como causa dois fatores: o crescimento da violência doméstica na pandemia e a subnotificação em anos anteriores. Veja no gráfico abaixo a evolução dos feminicídios ao longo dos últimos nove anos em São Borja.

Definido em 2015, na Lei 13.104/15, como homicídio de mulher “por razões da condição de sexo feminino”, o feminicídio é considerado crime hediondo, sendo punido com pena maior. Considera-se que há motivação de gênero quando o assassinato envolve violência doméstica e familiar ou menosprezo e discriminação à condição da mulher. Segundo o Mapa da Violência, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), mais de 55% dos feminicídios acontecem em domicílio, fruto de violência familiar. A realidade pandêmica vivida no mundo vulnerabilizou as mulheres vítimas de agressão, que passaram a ficar mais tempo dentro de casa com seus abusadores, situação que pode promover o aumento de feminicídios.

De acordo com pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em parceria com o Datafolha, apesar de uma queda na violência na rua, que de 29% do casos, caiu para 19%, a agressão doméstica, realizada por familiares (na grande maioria das vezes companheiros e ex-companheiros da vítima), aumentou de 42% para 48% dos casos em 2020. No total, uma em cada quatro mulheres acima de 16 anos foi vítima de algum tipo de violência, totalizando cerca de 17 milhões de mulheres (24,4% da população feminina) que sofreram algum tipo de agressão física, psicológica ou sexual.

Dados de uma análise recente sobre violência de gênero no país, divulgados pela Agência Bori, mostram que o preocupante aumento das agressões contra mulheres dentro de casa foi seguido por um crescimento de 1,9% nos feminicídios e nos pedidos de medidas protetivas em delegacias pelo país. Para Angélica Pires, os feminicídios em São Borja estão ligados à vulnerabilidade que a pandemia trouxe para muitas mulheres.

Além de passar mais tempo em casa, 61,8% das mulheres que sofreram violência e que responderam à pesquisa do FBSP com o Datafolha, afirmaram que a renda familiar diminuiu neste período e 46,7% também perderam o emprego. Em entrevista, a delegada Tatiana Bastos, diretora do Dipam e atual titular da 4ª Delegacia de Polícia de Canoas, explica que a instabilidade econômica é um dos fatores que mais dificulta a decisão de denunciar: “a vulnerabilidade financeira é um componente narrado pela grande maioria das mulheres que eu atendo. Essa situação causa dependência do agressor”, conta Tatiana. À dependência se juntam os impactos psicológicos da perda de renda: “o adoecimento mental das mulheres foi muito superior ao dos homens nesse período de pandemia porque foram mais uma vez sobrecarregadas, não só com a perda do seu ofício, mas também o aumento dos trabalhos informais, acumulando todas as atividades domésticas, preocupação com as atividades dos filhos, então mais uma vez as mulheres foram extremamente sobrecarregadas”, adiciona a delegada.

Em São Borja, o aumento nos feminicídios também pode ser o resultado de uma maior qualidade no processo investigativo desse tipo de crime. Segundo Tatiana, há enormes diferenças e especificidades na condução de uma investigação de feminicídio, que só começou a se desenvolver recentemente por se tratar de uma lei relativamente nova. No áudio abaixo, a delegada detalha o processo de investigação de um feminicídio:

 O Protocolo Latino-Americano de Investigação das Mortes Violentas de Mulheres por Razões de Gênero, citado no áudio acima, é uma metodologia elaborada pelo Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU e pela ONU Mulheres, o documento cria padrões para que as investigações e processos penais integrem fatores individuais, institucionais e estruturais como elementos para entender o crime e, em seguida, responder adequadamente às mortes violentas de mulheres pelo fato de serem mulheres, inclusive identificando o feminicídio.

O Rio Grande do Sul adotou o Protocolo em 2018, tornando-se o terceiro estado no país a fazê-lo. Antes de sua aplicação, todas as tipificações dos casos de assassinato de mulheres tinham que ser feitos somente pela Secretaria de Segurança Pública, o que gerava ocorrências de feminicídios sendo errôneamente classificados como falecimento, suicídio ou fato atípico. Com o Protocolo, o processo começou a ser integrado, com a polícia passando a ter a qualificação necessária para tipificar um assassinato de mulher como motivado por gênero. Segundo a delegada, o aumento de feminicídios era esperado a partir dessa mudança, e de 2017 para 2018, quando o Protocolo foi adotado, os feminicídios aumentaram 41% no Sul devido a nova forma de proceder em casos de mortes de mulheres.

Tatiana acredita que, hoje em dia, o estado já não possua uma cifra de subnotificação, porém afirma que pela novidade do Protocolo, principalmente em cidades pequenas e interioranas, a qualificação de dados ainda esteja em andamento. “Sem desprezar os dados de aumento de violência contra a mulher na pandemia, que com certeza está impactando toda a região Sul, o aumento dos casos também pode estar relacionado à nova forma de qualificação do feminicídio”, conclui a Diretora do Dipam.

A SALA DAS MARGARIDAS

Sala das Margaridas oferece espaço exclusivo para atender mulheres vítimas de violência. Foto: Divulgação/Polícia Civil

A vulnerabilização das mulheres, aprofundada pela pandemia, fica evidente num ano que deveria ser de comemoração. Isso porque a Lei Maria da Penha, ​​criada em 2006 para prevenir e combater a violência doméstica, além de garantir uma punição com mais rigor aos agressores, completou 15 anos no dia 7 de agosto de 2021. Ao longo de sua existência, a Lei ganhou novos dispositivos legais para garantir os direitos da mulher, entre eles estão a obrigação de o agressor ressarcir o estado por todo o gasto no atendimento à mulher vítima de violência, a inclusão de violência psicológica contra a mulher como crime e a determinação de que todo o atendimento prestado à vítima deve ser feito por profissionais do sexo feminino, previamente capacitadas. 

Hoje, a Lei Maria da Penha é considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) uma das três legislações mais avançadas do mundo. Porém, mesmo com todo o avanço, o alcance das políticas públicas previstas pela Lei não é necessariamente eficiente em todo o estado. Tatiana Bastos explica que menos de 10% dos municípios do Rio Grande do Sul têm estrutura necessária, em termos de serviços e equipamentos, para um atendimento e enfrentamento eficaz à violência doméstica e familiar. O Brasil foi pioneiro em adotar as Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (DEAM), com a primeira sendo inaugurada em 1985, muito antes até mesmo da Lei Maria da Penha, mas apesar do pioneirismo, só existem 23 destas delegacias no estado, enquanto o RS tem 497 municípios. Segundo Tatiana, os critérios para estabelecer uma Delegacia da Mulher se baseiam nos dados encontrados em uma cidade, como número de ocorrências e existência ou não de outras redes especializadas.

Uma forma de expandir o atendimento e enfrentamento à violência de gênero, ainda mais neste momento pandêmico, foi a facilitação das denúncias. Isto ocorreu por meio de campanhas como a Máscara Roxa, iniciada em 10 de julho de 2020, por meio da qual as mulheres vítimas de violência podem pedir ajuda em farmácias que tiverem o selo “farmácia amiga das mulheres”. Denúncias online também passaram a ser recebidas em grande parte das delegacias do estado e medidas protetivas começaram a ser feitas pelo telefone, sem necessidade de assinatura da vítima.

Contudo, em muitas cidades do Rio Grande do Sul, incluindo São Borja, a principal medida para combater a violência de gênero foi a abertura das Salas das Margaridas. Como dito acima, a Sala é uma política pública da Polícia Civil no enfrentamento à violência doméstica e familiar. O espaço é exclusivo para atendimento e acolhimento das vítimas e filhos, para registro das ocorrências policiais, para pedido de medidas protetivas e para toda ação envolvendo a aplicação da Lei Maria da Penha. No áudio a seguir, a escrivã responsável pelo espaço, Angélica Pires, explica a atuação da Sala, que funciona junto à Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento de São Borja:

No município, o início dos trabalhos ocorreu em março e, para Angélica, esta é a principal maneira encontrada para lidar com o aumento da violência doméstica durante a pandemia, por se tratar de um espaço com profissionais especializados para este atendimento, algo que a cidade não tinha antes. Segundo ela, uma das principais dificuldades que mulheres enfrentam para denunciar é não se sentirem compreendidas, “eu, juntamente com os policiais que atendem o plantão, passamos por uma formação antes da inauguração da sala, focada no atendimento das vítimas, para evitar esse tipo de problema”, explica a escrivã.

Até o momento, a principal atividade da Sala tem sido garantir a articulação, integração e divulgação dos meios de proteção e atendimento à mulher em São Borja, ações que fazem parte do Agosto Lilás, mês voltado à conscientização sobre a violência doméstica no país. Também durante o Agosto Lilás, a Sala das Margaridas realizou uma operação de verificação das denúncias recebidas pelo Disque 100 – serviço para atendimento de grupos vulneráveis – e Disque 180 – voltado ao atendimento de mulheres em situação de violência. De acordo com Angélica, a operação envolveu visitas às vítimas para entender sua situação, cumprimento de mandados de prisão por agressão e descumprimento de medidas protetivas.

SAIBA IDENTIFICAR OS TIPOS DE VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER:

Na Lei Maria da Penha estão previstos cinco tipos de violência doméstica e familiar contra a mulher. São elas: violência física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. 

Violência Física: entendido como qualquer conduta que ofenda a integridade ou saúde corporal da mulher.

Ex: espancamento, atirar objetos, sacudir e apertar os braços, estrangulamento ou sufocamento, lesões com objetos cortantes ou perfurantes, ferimentos causados por queimaduras ou armas de fogo, tortura.

Violência Psicológica: qualquer conduta que cause dano emocional e diminuição da autoestima; prejudique o desenvolvimento da mulher; ou vise controlar suas ações, comportamentos e decisões.

Ex: ameaças, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento (proibir de estudar ou de falar com amigos e familiares), vigilância constante.

Violência Sexual: qualquer conduta que constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força.

Ex: estupro, obrigar a mulher a fazer atos sexuais que causam desconforto ou repulsa, impedir o uso de métodos contraceptivos ou forçar a mulher a abortar, forçar matrimônio, gravidez ou prostituição.

Violência Patrimonial: qualquer ação que configure retenção, subtração, destruição de seus objetos, instrumentos de trabalho, bens, valores e recursos econômicos.

Ex: controlar o dinheiro, deixar de pagar pensão alimentícia, destruição de documentos pessoais, furto, extorsão ou dano, estelionato, privar de bens ou recursos econômicos.

Violência Moral: é considerada qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria. 

Ex: acusar a mulher de traição, emitir juízos morais sobre a conduta, fazer críticas mentirosas, expor a vida íntima, rebaixar mulher por xingamentos sobre a sua índole, desvalorizar a vítima pelo seu modo de se vestir.

UTILIDADE PÚBLICA (COMO DENUNCIAR VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER):

Qualquer uma dessas violências constitui violação dos direitos humanos. Se você é vítima de algum tipo de agressão ou conhece alguém que é, denuncie:

-Ligue 180: serviço de utilidade pública que registra e encaminha denúncias de violência contra a mulher aos órgãos competentes. A denúncia pode ser feita de forma anônima e o serviço está disponível 24h por dia, todos os dias. Ligações podem ser feitas de todo o Brasil por meio de discagem direta e gratuita, de qualquer terminal telefônico fixo ou móvel, bastando discar 180.

Sala das Margaridas de São Borja: funciona na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento, localizada na Av. Presidente Vargas, 2062 – Centro, São Borja. Telefone para contato: (55) 98428-7753. A sala fica disponível 24h por dia.

Disque 100: serviço de disseminação de informações sobre direitos de grupos vulneráveis e de denúncias de violações de direitos humanos. Atende situações de violações que acabaram de ocorrer ou que ainda estão em curso, acionando os órgãos competentes e possibilitando o flagrante. Também funciona 24h por dia todos os dias, basta discar 100.

FONTES CONSULTADAS:

SSP-RS: https://www.ssp.rs.gov.br/indicadores-da-violencia-contra-a-mulher

Agência Bori: https://abori.com.br/artigos/violencia-domestica-contra-a-mulher-a-outra-pandemia/ 

Íntegra – Agência Experimental de Jornalismo da UFSMUFSM: https://www.ufsm.br/midias/experimental/integra/2021/01/22/pandemia-escancara-o-feminicidio-e-a-subnotificacao-no-brasil-e-no-mundo/

Agência Brasil:

https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2021-06/casos-de-violencia-domestica-estao-subnotificados-na-pandemia

Instituto Maria da Penha: https://www.institutomariadapenha.org.br/violencia-domestica/o-que-e-violencia-domestica.html 

https://www.institutomariadapenha.org.br/lei-11340/lei-maria-da-penha-na-integra-e-comentada.html https://www.institutomariadapenha.org.br/lei-11340/tipos-de-violencia.html

Polícia Civil do RS:

https://www.pc.rs.gov.br/espaco-da-sala-das-margaridas-e-atendimento-humanizado-e-reaberto-apos-revitalizacao-na-deam-de-porto-alegre

https://www.pc.rs.gov.br/delegacias

Instituto Patrícia Galvão:

https://dossies.agenciapatriciagalvao.org.br/dados-e-fontes/pesquisa/anuario-brasileiro-de-seguranca-publica-fbsp-2021/

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Produção Multiplataforma em Jornalismo II

Motivados por fake news, pacientes da fronteira oeste buscam vacinas específicas

Por: Manuel Neto, Ritta Pilar, Stela Boeira, Thiago Paiva e Vívian Ayala.

A busca por vacinas de determinados laboratórios tornou-se frequente nos postos de saúde de municípios da fronteira oeste. O fato tem ocorrido em São Borja, Itaqui e Uruguaiana, conforme afirmam profissionais que atuam na vacinação. A busca geralmente é motivada  por desinformações e fake news que circulam nas mídias sociais digitais. A prioridade é sempre dada à dose única da vacina Janssen (da norte-americana Johnson & Johnson). 

Casos do tipo ocorreram em Itaqui, segundo a enfermeira Fabiane Silveira Davila. Ela conta que, ao realizar a vacinação, segue um protocolo de atendimento para evitar receios relacionados à notícias falsas. “Eu sempre aspiro a vacina na frente da pessoa, mostro qual vacina é o líquido e, após administrar, mostro a seringa vazia”, comenta. 

A técnica em enfermagem Joselaine Barreto, que atuou na vacinação em Uruguaiana, aponta que, quando aparecem pacientes com receio ou medo da vacina, ela procura dialogar, salientando a importância da vacina, seja ela qual for. “A gente conversa, a gente tenta acalmar o paciente para fazer a vacinação”, conta. Quanto ao medo, a técnica comenta que foi registrado o caso de uma mulher que afirmou que não faria a vacina e ninguém a conquistaria. Diante disso, não houve o que fazer por parte dos funcionários da unidade de saúde. 

Em São Borja, a técnica em enfermagem Daniela Martins Prado, que, atualmente, exerce sua função na Unidade de Saúde Prisional do Presídio Estadual do município, comenta que quando ainda trabalhava no ESF, presenciou casos em que as pessoas, antes de tomarem a vacina, questionavam sobre o laboratório do imunizante, chegando até mesmo a desistir de tomar a vacina, porque não era a de sua preferência. Ao falar sobre a Unidade Prisional, ela afirma que, diferentemente da população em geral, “todos aceitaram a vacinação, porque, na visão deles, quanto mais rápida a vacinação, mais rápido podem ser retomadas as rotinas anteriores à pandemia, como, por exemplo, a visitação”.

Daniela Martins Prado aplicando o imunizante em um paciente.

Daniela ainda acrescenta que a busca por informação neste momento é fundamentaal. “As pessoas têm direito a acompanhar todo o processo de vacinação. Então, eu diria para elas que não existe vacina de vento, pois elas têm o direito de pedir para acompanhar, desde a aspiração até a aplicação da vacina, sendo permitido até mesmo o registro em fotos. Quanto às fake news, sugiro que as pessoas busquem a informação antes de tirarem conclusões de notícias jogadas na internet”, salienta. 

Joselaine e Fabiane concordam, ao dizer que a experiência de estar atuando na vacinação contra a Covid-19 é boa, mas desafiadora e exaustiva, principalmente ao lidar com casos em que o paciente questiona a eficácia dos imunizantes aplicados. Enquanto Daniela observa que, ao aplicar a primeira dose de uma vacina, fica com receio de que as pessoas não retornem para as doses seguintes, mas, ao mesmo tempo, se sente feliz e grata pela função que desempenha.

Fake News e vacinação

Com a sociedade e a realidade em que vivemos hoje em dia, as informações são passadas muito rapidamente através da internet, tornando fácil que qualquer cidadão exerça o papel de criador e disseminador de conteúdos, amplificando, em grande escala, o compartilhamento de qualquer tipo de conteúdo. 

Em um momento em que mais de 46 milhões de brasileiros (21,79% da população) já receberam a segunda dose, ou dose única dos imunizantes, tomam conta das mídias sociais, além das fake news, discussões como: se uma terceira dose das vacinas seria viável, ou se as mesmas são realmente eficazes. A bióloga, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e divulgadora Científica no blogs Unicamp, Ana Arnt, ao comentar sobre a possibilidade de uma terceira dose, afirma que apenas a pesquisa pode nos dar as devidas respostas. “Com certeza, a discussão da terceira dose faz sentido como parte da pesquisa sobre as vacinas”. No entanto, ela finaliza dizendo que apenas com pesquisas poderemos saber se uma terceira dose de imunizante será mesmo necessária.

No Brasil, uma pesquisa realizada pelo Datafolha em dezembro de 2020 revelou que a quantidade de pessoas que não queriam se vacinar contra a Covid-19 chegou a 22% dos brasileiros. Entre os motivos da resistência, estão o medo de agulhas (aicmofobia) e a crença em notícias falsas. Um exemplo é a aposentada Rosane Kulmann, de 57 anos, que confessa ainda estar receosa em relação à eficácia do imunizante. Isso ocorreu “devido a várias polêmicas sobre a vacina, que colocam em dúvida seu resultado”. Rosane ainda relata que conhece pessoas que só irão se vacinar se forem obrigadas.  

A jornalista e mestranda no Programa de Pós-graduação em Comunicação e Indústria Criativa (PPGCIC) da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Alexia Saner, realizou a observação do cenário de desinformação sobre a Covid-19 existente em Uruguaiana. A pesquisa integrou etapa de seu Projeto de Desenvolvimento e Inovação (PD&I) do mestrado profissional, que teve o intuito de contribuir com a verificação de informações relevantes para a saúde das pessoas durante a pandemia. A partir disso, a jornalista criou uma Agência de checagem de informações, a Vericheck Covid-19.

Com o desafio de ser um instrumento de combate à desinformação em Uruguaiana, a agência realizou 16 publicações envolvendo produção gráfica e redação textual sobre desinformação, produção jornalística e checagem de informações sobre a Covid-19. Alcançando não só cidades do estado, Alexia acredita que a experiência foi essencial para entender como as pessoas lidam com esse tipo de checagem, o fact-checking. “Foi importante para compreender, na prática, como a desinformação acontece e como a população pode reagir quando a verificação da informação é disponibilizada para elas. Mesmo que todos os links, métodos e materiais acessados para a checagem da informação, algumas pessoas continuavam duvidando da veracidade e da transparência jornalística”.

Recentemente, a OMS alertou instituições e autoridades sobre “infodemia”, um conceito que consiste em teorias da conspiração, fake news, rumores e outros conteúdos divulgados em torno da pandemia, os quais contribuem para aumentar os casos, as recusas à vacina, e as mortes por Covid-19.

Com o crescente número de grupos antivacina nas redes sociais, informações falsas sobre vacinas para o combate à Covid-19 começam a ser frequentemente divulgadas. 

A importância da vacinação

As vacinas sempre foram grandes aliadas contra diversas doenças na história da humanidade. Doenças como febre amarela, tétano e varíola quase deixaram de existir no Brasil graças à ciência, que desenvolveu os medicamentos necessários. O que poucos sabem é que casos assim acontecem porque, quando grande parte da população está vacinada, os agentes causadores dessas doenças deixam de circular em muitos ambientes. Então, mesmo quando um indivíduo entra em contato com a doença, ele não a desenvolve, por já estar imune.

Atualmente, os movimentos antivacina no país, além de atrasarem o processo de imunização contra a Covid-19, também fazem com que diversas doenças, como sarampo, poliomielite (paralisia infantil), difteria e rubéola, que um dia foram consideradas erradicadas, voltaram a aparecer entre a população brasileira. Segundo o Summit Brasil, “o sarampo, por exemplo, era tratado como eliminado no Brasil em 2016, mas em 2018 voltou a oferecer perigo para a população, e dados da OMS apontam até para um possível surto no País”.

Esclarecendo dúvidas sobre os imunizantes

Confira a seguir, as principais dúvidas sobre a vacinação, esclarecidas pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal:

  1. A vacina só protege quando dá reação?

Não. Segundo a Secretaria de Saúde, as vacinas são produzidas a partir de fragmentos do vírus e das bactérias e são introduzidas no corpo humano para estimular o nosso sistema de anticorpos a produzir uma defesa específica contra aquela doença. Quando o nosso corpo produz essa defesa, pode provocar algumas reações semelhantes àquelas causadas quando ficamos doentes, só que numa proporção menor.

  1. Quem teve covid-19 pode tomar a vacina?

Não só pode como deve tomar. Porém, o desaparecimento dos sintomas deve ter ocorrido 14 dias antes da imunização e, no momento da vacinação, a pessoa não poderá estar doente ou com quadro febril.

  1. O cidadão pode escolher a vacina que quer tomar?

Não, em hipótese alguma o paciente escolhe o imunizante. Já é sabido que a disponibilização das vacinas ocorre de acordo com a chegada das doses ao estado. Todas as vacinas disponíveis no Brasil são eficazes.

  1. Após tomar a primeira dose da vacina você deve continuar usando máscara e evitando aglomerações?

Sim. Mesmo após a vacinação completa, ainda é imprescindível continuar seguindo as orientações da OMS, sendo elas: uso de máscara, distanciamento social e higienização das mãos. Essas medidas sanitárias seguem importantes, já que a vacina não impede a circulação do vírus, nem de suas novas variantes.

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i4 Explica

Uma vacina, três doses?

Por Tuãne Araújo

Com o surgimento de novas variantes e com o conhecimento dos dados de eficácia das vacinas a longo prazo, pesquisas estão sendo feitas para entender se uma terceira dose de reforço é necessária para o combate da COVID-19. Neste i4 explica, te contamos como está sendo feito o processo e o porquê de mais uma dose de reforço:

Para saber mais sobre as vacinas que estão sendo aplicadas no Brasil, acesse:

Saiba o que acontece se você atrasar a segunda dose da vacina contra a COVID-19

Para saber mais sobre a variante Delta, acesse: 

Saiba quais os perigos que a variante Delta representa para a população

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Saiba quais os perigos que a variante Delta representa para a população

Por Gabrielli Almeron e Kimberlin Valerio 

Neste i4 Explica, esclarecemos o que é uma variante e falamos sobre a cepa Delta que vem se espalhando pelo Rio Grande do Sul. Segundo o G1, o Hospital Nossa Senhora da Conceição confirmou, nesta terça-feira (17), mais duas mortes de pacientes em decorrência do surto de Covid-19 na unidade. Até agora, doze pacientes morreram pela doença. Existe a suspeita de que essa série de contaminações tenha sido causada pela Delta, que é mais transmissível.

A vacinação é a única forma eficaz de combate à variante delta, principalmente quando aplicada a segunda dose, concluindo assim o esquema  de imunização. Mas a vacina pode ser menos eficaz entre pessoas em que a resposta do sistema imunológico não é tão desenvolvida, mesmo após a vacinação, incluindo os idosos e pessoas com comorbidades.

Além das vacinas, as medidas que não incluem remédios, como o uso de máscaras, distanciamento físico, hábitos de higiene das mãos, evitar aglomerações em locais fechados ou com pouca ventilação, ajudam na proteção contra a variante.

Fontes consultadas: 

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2021/08/08/eua-estao-fracassando-na-luta-contra-a-covid-afirma-funcionario-da-saude.htm

https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/2021/07/25/nos-estados-unidos-99-das-mortes-por-covid-19-sao-de-nao-vacinados

https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2021/08/15/morre-decima-paciente-apos-surto-de-covid-no-hospital-conceicao-de-porto-alegre.ghtml

https://saude.rs.gov.br/centro-estadual-de-vigilancia-em-saude-confirma-transmissao-comunitaria-da-variante-delta-no-rio-grande-do-sul

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São Borja registra mais mortes que nascimentos no 1º semestre de 2021

Por Dionatan Farias e Manuel Neto

Fonte: Google Street View em 03/08/2021

Além das mais de 250 mortes causadas pela Covid-19 em São Borja, a pandemia afeta de forma inédita a demografia do município e também de todo estado, com mais mortes do que nascimentos sendo registrados durante o primeiro semestre de 2021. É o que demonstram os dados do Portal da Transparência do Registro Civil, site mantido pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (ARPEN) que disponibiliza informações e estatísticas sobre nascimentos, casamentos e óbitos registrados pelos cartórios do país. Em São Borja, foram 444 mortes e 378 nascimentos de janeiro até o fim de junho.

Tais números ajudam a ilustrar o quanto a chegada da pandemia contribui para o aumento da mortalidade. Comparando os mesmos períodos (os primeiros seis meses) de 2020 e 2021, nota-se um aumento de 48% nas mortes. Já os nascimentos no primeiro semestre de 2020 tiveram uma queda de 5,7% em 2021. Durante todo o ano de 2019, foram 523 mortes, mantendo-se praticamente o mesmo número em 2020, quando foram registrados 526 óbitos.

A cidade segue uma tendência observada em todo o estado. No total, o Rio Grande do Sul registrou 66.824 mortes e 65.932 nascimentos no primeiro semestre deste ano. Outras cidades da Fronteira Oeste também registraram mais mortes que nascimentos até o momento.

Esta queda na natalidade ocorre após anos de crescimento populacional. Mesmo com a desaceleração nos nascimentos, ocasionados pela mudança social, econômica e cultural que a urbanização trouxe para o país, o IBGE calcula um decrescimento da população brasileira, isto é, quando os níveis de morte e de nascimento passam a ser iguais, o que só deveria ocorrer por volta de 2050. No áudio abaixo, José Eustáquio Diniz, doutor em demografia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que a pandemia entrou no caminho, fazendo com que essa curva histórica mudasse:

Como expõe Diniz, esse crescimento súbito de mortes ocasionado pela pandemia não vai se manter. Com a vacinação em andamento e o fim das restrições mais severas contra a Covid-19, as taxas de natalidade voltarão a superar a de mortalidade, mantendo assim a tendência histórica e decrescimento populacional somente para 2050. Mas o impacto causado pela pandemia no sul demonstra tendências e particularidades do Estado e de sua população que contribuíram para este cenário inédito e valem a pena ser conhecidas.

PORQUE OS GAÚCHOS FORAM TÃO AFETADOS?

No pico da pandemia no estado, em março de 2021, o Rio Grande do Sul registrou pela primeira vez mais mortes do que nascimentos em um mês, antecipando o que viria a ocorrer em outras regiões do país. O fato do estado ser o primeiro a atingir tais números pode ser explicado pelas características demográficas do povo gaúcho. Com a população mais envelhecida do país, o IBGE estima que quase 18% dos rio-grandenses têm mais de 60 anos de idade. Como se sabe, os idosos constituem grupo de risco, sendo mais vulneráveis a Covid-19.

Segundo outras estimativas do IBGE, o índice de envelhecimento (IE) no Sul, que mede a relação entre a população idosa  (60 anos ou mais) e a população jovem (de 0 a 14 anos), é o mais elevado do país. As projeções calculam que, em 2020, o estado alcançou 103,3 idosos para cada 100 jovens. Um IE acima de 100 significa uma população envelhecida. Além disso, todas as cidades com o índice de envelhecimento mais alto do Brasil estão no Rio Grande do Sul

José Diniz explica que o envelhecimento também traz consigo o fim do período reprodutivo para as mulheres – que geralmente vai dos 15 aos 49 anos -, fazendo com que os nascimentos simplesmente não aconteçam. Mesmo antes da pandemia as taxas de fecundidade no estado estavam abaixo do nível de reposição. A taxa de fecundidade estima o número médio de filhos de uma mulher em seu período reprodutivo. O nível de reposição, hoje em 2,1 filhos, é o necessário para que uma população permaneça do mesmo tamanho; acima de 2,1 a população aumenta, abaixo desta média a população começa a diminuir. Atualmente, a taxa de fecundidade do Rio Grande do Sul é de 1,7.

O demógrafo também ressalta que novos fatores sanitários e econômicos causados pela pandemia influenciam na baixa natalidade vista neste primeiro semestre de 2021. De acordo com Diniz, o medo de contrair Coronavírus e a insegurança econômica que a pandemia trouxe, podem ter influenciado muitos casais a adiarem uma possível gravidez.

IMPACTO EM SÃO BORJA

Apesar dos nascimentos e mortes tenderem a retornar aos patamares pré-pandêmicos e seguirem as previsões históricas, Diniz alerta que em uma cidade como São Borja o envelhecimento e decrescimento populacional podem ser antecipados. Isso porque o município já teve uma queda populacional desde o último censo. Segundo o IBGE, estima-se que de 61.671 habitantes em 2010, agora são cerca de 60.019.

Além do envelhecimento pelo qual já passam, cidades pequenas da fronteira, como São Borja, perdem muito de sua população jovem, que emigra em busca de melhores oportunidades econômicas em outros lugares, realidade que condiz com a queda populacional estimada. Nestas condições, o impacto da pandemia no município pode ser uma população em declínio mais acelerado que o esperado: “se a mortalidade aumenta e a natalidade diminui a população vai diminuir, no caso de São Borja já estava diminuindo antes da pandemia, com a pandemia vai diminuir mais ainda, esse é o efeito a longo prazo”, esclarece o demógrafo. Porém adiciona que reflexos econômicos e sociais são mais complexos e não podem ser previstos ainda.

Fontes consultadas:

IBGE: https://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/index.html?utm_source=portal&utm_medium=popclock 

IBGE: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/rs/sao-borja/panorama 

Portal R7: https://noticias.r7.com/brasil/estados-do-sul-e-sudeste-tem-as-maiores-proporcoes-de-idosos-29032020

Revista Veja: https://veja.abril.com.br/mundo/deficit-de-bebes-o-declive-nos-indices-de-natalidade-em-tempo-de-pandemia/

Atlas socioeconômico: https://atlassocioeconomico.rs.gov.br/crescimento-populacional

Atlas socioeconômico: https://atlassocioeconomico.rs.gov.br/piramides-etarias-e-envelhecimento-da-populacao

Portal do envelhecimento: https://www.portaldoenvelhecimento.com.br/as-cidades-mais-envelhecidas-do-brasil/ https://www.portaldoenvelhecimento.com.br/o-impacto-da-pandemia-da-covid-19-na-dinamica-demografica-brasileira/

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Saiba o que acontece se você atrasar a segunda dose da vacina contra a COVID-19

Por Guilherme Henriques e Tuãne Araújo

A correria do dia-a-dia ou a desinformação que circula em redes sociais  podem fazer com que alguém que já tomou a primeira dose do imunizante contra o novo coronavírus, perca o dia certo da sua segunda vacinação. Mas, você sabe o que acontece com o atraso ou a falta da segunda dose?

Imagem: Freepik.com

No Plano de Imunização Nacional (PNI) ou Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a COVID-19, constam quatro vacinas que estão sendo aplicadas no município de São Borja e em todo o Brasil. A CoronaVac, imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac; a Covishield, desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca, da Universidade de Oxford com parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz); e a Comirnaty, desenvolvida pela empresa farmacêutica Pfizer e a empresa alemã BioNTech.

Essas três vacinas têm algo em comum: as suas desenvolvedoras recomendam que as vacinas sejam aplicadas em duas doses. A CoronaVac (Butantan/Sinova) deve ser aplicada no intervalo de duas a quatro semanas, já a Covishield (AstraZeneca/Oxford/FioCruz) a recomendação é do intervalo de 10 semanas de cada dose, e a Comirnaty (Pfizer/BioNTech), as doses devem ser administradas em um intervalo maior ou igual a 21 dias. Novos estudos decorrentes do processo de vacinação, em conjunto com as novas variantes, entre elas a Delta, trazem novas orientações do Ministério da Saúde, essas novas recomendações são referentes ao intervalo de aplicação entre a primeira e a segunda dose. Com mudanças frequentes a orientação é ficar atento aos portais de notícias jornalísticos de credibilidade para saber qual a orientação do momento. Com exceção da vacina Janssen, da divisão farmacêutica Johnson & Johnson, que é de dose única. 

Até o momento da publicação desta matéria a orientação no estado do Rio Grande do Sul é que a aplicação da segunda dose da Astrazeneca seja de 10 semanas, com previsão de alteração do intervalo, pelo Ministério da Saúde para 21 dias, nas vacinas Astrazeneca e Pfizer.

Ilustração: Tuãne Araújo

A imunização

O processo de imunização do nosso corpo acontece através do reconhecimento de algum invasor. Esse mecanismo começa através do contato natural com a doença ou através da vacina, sendo essas duas formas de imunização semelhantes, segundo o professor da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e pesquisador em Farmácia, Bioquímica e Farmacologia, Michel Mansur Machado. A vacina funciona como um ativador, que faz com que inicie todo um processo complexo de reconhecimento. Machado explica que o corpo aprende a se defender do invasor que, nesse caso, é o vírus Sars-CoV-2, produzindo células responsáveis por matar esses invasores e pela produção de anticorpos. A vacina é uma forma importante de adquirirmos essa proteção sem que tenhamos o contato direto com o coronavírus, trazendo os benefícios da proteção e do reconhecimento do vírus, mas sem os malefícios e sintomas que a doença acarreta: “ensinando o organismo, de uma forma segura, a produzir essa defesa no momento que eu tiver esse contato (com o vírus)”, explica o professor. Mas se deve ficar atento, a imunização não é garantia que possa impedir que não haja a infecção da doença. Caso aconteça a presença da COVID-19, Machado explica que o imunizante irá fazer com que o sistema imunológico responda de uma maneira mais rápida e eficaz, tornando assim a doença muito menos grave do que seria sem o processo de vacinação. 

Sobre os imunizantes 

Machado explica que existem várias formas de produção de vacinas. Nas vacinas contra o novo coronavírus há três principais métodos: uma utiliza o vírus completo inativado; outra forma insere uma partícula de adenovírus da proteína externa do vírus que são colocadas implantadas dentro de outro vírus inativado; e a terceira usa a própria proteína para reconhecer e produzir defesa. A diferença entre elas é a forma como o corpo será ensinado a reconhecer o invasor, porém o objetivo é o mesmo: impedir a forma mais grave da doença. 

Todas as vacinas foram testadas para que chegassem à população. O uso emergencial foi concedido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a partir de estudos que comprovaram a segurança e a eficácia delas. Atuando na prevenção, através da indução de anticorpos, os imunizantes reduzem a possibilidade da infecção do coronavírus. Atualmente, as vacinas Coronavac, Covishield e Comirnaty oferecem uma alta proteção para casos graves da doença e a óbitos. Em termos de proteção, a Coronavac apresenta, contra qualquer forma da doença, uma eficácia global de 50,38%; a Covishield, 73,43% após duas doses da vacina; e a Comirnaty verificou-se uma eficácia de 95% na prevenção contra a COVID-19, também após a aplicação das duas doses.

Ilustrações: Tuãne Araújo

Para que se obtenha a porcentagem de proteção almejada é necessário que se cumpra todo o cronograma de vacinação proposto pela fabricante que, nesses três casos, é necessário aplicação de uma segunda dose. Esse processo de imunização inicia com a aplicação de uma primeira dose, fazendo com que comece a produção de células de defesa. Porém, essa produção não contém uma concentração suficiente para combater a doença. Machado explica que ao reconhecer essa insuficiência, as desenvolvedoras das vacinas recomendam a aplicação de uma segunda dose, dando assim um novo impulso nessa produção. Tornando o processo suficiente para realizar o combate no caso de contato com a doença. Diferente da vacina da Jassen, que obteve um resultado positivo com apenas uma dose. 

A importância da segunda dose para o controle da pandemia 

É fundamental que o esquema vacinal, ou seja, as duas doses, sejam tomadas. As vacinas não impedem de se adquirir a doença, mas se tomadas corretamente fazem com que as consequências desse contato sejam muito menores. Para o pesquisador Michel Machado, todas as vacinas são importantes, visto que todas reduzem de maneira significativa o risco de internações, efeitos graves da COVID-19 e, principalmente, os óbitos. Com a imunização e os cuidados de prevenção da doença, como o uso de máscara, álcool 70% e distanciamento social, conseguiremos erradicar a pandemia. Para entender mais sobre o que acontece se você não tomar a vacina, assista o vídeo do i4 explica:

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Primeira dose da vacina já foi aplicada em 62,5% da população de São Borja

Por Gabrielli Almeron e Kimberlin Valério 

De acordo com dados da Secretaria da Saúde do Estado (SES/RS), no município de São Borja, até a manhã do dia 19 de julho, 37.078 pessoas tomaram a primeira dose da vacina,13.368 tomaram a segunda dose e 1.687 a dose única, totalizando 52.133 doses aplicadas. 

Conforme dados disponibilizados pela Secretaria Estadual de Saúde SES/RS, desde o início da campanha de vacinação da Covid-19 no RS, em janeiro de 2021, foram destinadas 63.889 doses para São Borja. O número de habitantes da cidade é de 60.282, a cidade chegou à marca de 62,5% de pessoas vacinadas com a primeira dose, incluindo a vacina de dose única. 

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o planejamento de vacinação da cidade segue os protocolos do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19, vigente desde março de 2021 em todo o Brasil. Ainda de acordo com a SMS, o município não possui uma estimativa de quando irá vacinar toda a população da cidade, porque a secretaria depende da distribuição de imunizantes que são enviadas ao município pelos Governos Estadual e Federal. 

No boletim publicado pela SES/RS, no dia 04 de junho, o estado  prevê, até setembro, imunizar todos os integrantes dos grupos de maior vulnerabilidade e também os trabalhadores da educação, além de vacinar com a primeira dose o público acima dos 18 anos. Outra meta a ser atingida até dezembro é imunizar com a segunda dose todos que já tomaram a primeira.

De acordo com o Departamento de Comunicação (DECOM) da Prefeitura de São Borja, a aplicação da segunda dose tem ocorrido de forma gradativa, a própria população tem realizado busca ativa nas Estratégias de Saúde Familiar- ESFs. A divulgação pelos canais oficiais da prefeitura do município tem alertado a comunidade local sobre a importância do retorno às Unidades de Saúde, para completar a imunização contra a Covid-19 com a aplicação da segunda dose. 

Fonte: https://vacina.saude.rs.gov.br/
Fonte: https://vacina.saude.rs.gov.br/

Fonte: https://vacina.saude.rs.gov.br/

Conforme dados disponibilizados pelos canais oficiais da prefeitura, nesta segunda-feira (19), iniciou no município a aplicação da primeira dose da vacina para a população com 22 anos, na terça-feira (20) a partir dos 20 anos e na quarta-feira (21) o município deve alcançar a população com 18 anos sem comorbidades, além dos demais grupos.

Fique atento para modificações no calendário da segunda dose da vacinação. Na segunda-feira (12/07), ocorreu uma reunião entre a Secretaria da Saúde e o Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do RS (Cosems/RS), na qual, foi definido que o intervalo entre as doses das vacinas contra a Covid da Astrazeneca e Pfizer será reduzido de 12 para 10 semanas no RS. A medida vale para quem já recebeu a primeira dose e para quem será vacinado a partir de agora. 

A vacinação em São Borja acontece na Central de Vacinas e em todas as ESFs, das 8h às 12h. No momento da vacinação é obrigatório levar o CPF, Cartão do SUS e Carteira de Vacinação. Podendo também ser utilizada a carteira digital de vacinação através do aplicativo Conecte SUS, o acesso a sua carteira digital  é gratuito. O aplicativo está disponível para os sistemas: Android e IOS, além disso, também pode ser acessado pelo computador.

Fontes consultadas:

https://www.facebook.com/prefeituradesaoborja

https://vacina.saude.rs.gov.br/

https://www.gov.br/saude/pt-br/media/pdf/2021/marco/23/plano-nacional-de-vacinacao-covid-19-de-2021 


https://saude.rs.gov.br/secretaria-da-saude-e-cosems-estimam-vacinar-ate-setembro-com-primeira-dose-toda-a-populacao-ate-18-anos#:~:text=Secretaria%20da%20Sa%C3%BAde%20e%20Cosems,18%20anos%20%2D%20Secretaria%20da%20Sa%C3%BAde

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Pausa nas atividades

O semestre 2020/02, desenvolvido com atividades de ensino remoto, devido a pandemia de COVID19, está chegando ao fim. Daremos uma pausa nas publicações da i4 Plataforma de Notícias até o início do próximo semestre.
Se cuidem!!
Voltamos no próximo semestre 2021/01, ainda de modo remoto.

Infográfico: Tuãne Araújo
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BOLETIM EPIDEMIOLÓGICO DE SÃO BORJA

24/04/2021

O boletim tem como função disseminar informações de extrema importância para a população sobre como está a situação sanitária do município.

Hoje São Borja registrou 70 novos casos. O número da vacinação foi atualizado pela última vez no dia 13 de abril. Confira os números da COVID19 em São Borja até o dia de hoje:

Infográfico: Gabriel Pujol